Mais de um ano sem poesia.
Idiossincrasia da palavra.
Energia que não se reparte.
"Esquizofrenarte"!
Poesia, Prosa e Verso
Adoro aparecer, fazer o que, nasci assim, com máscaras variadas, desgovernadas, que visam entreter o não e o sim. Há quem as aprecie. Há quem faça piada. Há quem não ache nada em meu jardim. Há quem ame, há quem odeie, há quem apenas reclame por eu me expor assim. E por mais borrados que sejam tais rascunhos de pessoa, tento bancá-los com expressão no punho independente de como o rabisco ecoa. Emito sinais particulares de certo e errado a todo tempo, sem temer aquele que lê, seja nos momentos de grandeza em que abusei de tudo o que desejei ter, ou nos de extrema fraqueza em que passei por poucas e boas e continuei me expondo sem usar dublê.
Minha platéia nunca foi problema. Meu medo mesmo é cair em clichê. Como os fracos que escondem o emblema, se retiram da cena e deixam a honestidade que havia em si, morrer. Agem nos bastidores porque temem a opinião dos demais. Estes sim, são perigosos atores, carentes de valores morais. Estrelas passageiras do supérfluo medo do “vencer” ou “perder”. E para não ser escravo desse ego voraz é que eu os encaro, eu piso, eu falo. Raramente minto. Dificilmente calo. E quando vejo que falho volto atrás. Mas sem me desculpar nas entrelinhas como gente mesquinha faz. Para estes animadores eu lhes confesso que jogo, porque infelizmente eles jogam demais. Preferem blefar ao pôr as cartas na mesa, feito coringas de uma tristeza que ali se faz, sem transparecer. São talentosos profissionais, reconheço. Só deveriam aprender que apenas o perdão e as boas atitudes são dignas da paz que tanto desejam.
Eu venho de outra escola. Criado num cenário sem cortinas. Não preciso delas para me eleger enquanto lacrimejo o que não pôde ser. Talvez por elas serem obscuras para um sagitariano apaixonado, que adora se promover. Um cara quase desprovido de mistério, quase desinteressante, fácil e difícil de conviver. Depende daquilo que você quer ver, daquilo que você julga importante. O que existe em mim vem com bula, para que fique claro aos ignorantes meus momentos de glória e de vexame, de ódio e de ternura, de alegria e tédio. Por mais que a louca carência de dividir o palco me destrua, transformando-me num solitário farejador de aventura, um Peter Pan em busca de assédio.
E não se engane. Eu me importo muito com o cachê. Atrás de cada terno que visto há sempre uma postura de quem compra e quer vender. Pago para ver a reação do público perante minhas travessuras apresentadas em variadas facetas protegidas por armaduras boas e ruins. Ora convincentes. Ora tolas e inconvenientes. Nunca escondi meus demônios mesmo, quiçá os querubins. E é bom ter cuidado, não abandono nenhum dos dois. Só depende de como você quer ser conquistado, sabendo que será julgado depois. Afinal é difícil saber de imediato se lhe darei meu céu ou meu inferno, quem sabe até lhe dou os dois. Ambos estão abertos e a casa é confiável. Só tira o sapato antes de entrar. A faxina é constante e as chaves ficam comigo para regular a forma pela qual pretendes pisar. Afinal de contas um pouco de prevenção se faz preciso, já que o radar da curiosidade alheia me deixa alerta, com luz acesa para a temporada das flores que vão chegar ou, vai saber, dos granizos.
Portanto, estranho convidado, amigo ou inimigo. Você tem conhecimento suficiente das normas da casa para usá-lo em seu favor se for preciso. Assim como a sua função quando dentro dela. E pareça-lhe ou não superficial a maneira com que o anfitrião se comporta, não faz a menor diferença, não é com este tipo de opinião que ele se importa. As satisfações foram um presente para você saber como se comportar ao abrir a porta, que raramente fica trancada. Tal maneira de ser me acompanhará sempre, como necessidade fundamental de uma passageira estada, de forma honesta e transparente. Porque aprecio divulgar de cara limpa meu tudo, e meu nada. E a este tipo de jornada eu chamo vida. E vida não se pode esconder, muito menos deixar engasgada. E por amá-la e odiá-la inconstantemente, assumo-a gentilmente, guiando-a como sempre fiz, em águas frias e calmas, agitadas e quentes, explodindo-me de tanto viver e agradecer por ser um cara de altos e baixos, quase sempre querido, quase sempre amigo, quase sempre feliz.
Fogo na peça indumentária
que protege a jumentalha
do boêmio folião.
Filhos da bebedeira,
que fazem das cinzas, quarta-feira
de pura celebração.
Fogo em tudo o que carece varal.
Fogo em tudo o que parece normal.
Fogo em forma de cueca
Deixa o sapo ver a perereca
Chega de esconder cartão postal.
Taca fogo na cueca que o verão vai ajudar
É melhor mover as pernas, impossível segurar. (Refrão)
Folia mais importante a gente sabe que não dá
É o bloco do Mirante botando a cueca pra girar
Gira de cá, gira de lá, de lá girou
Gira a cueca pra espantar nosso pudor.
Gira de cá, gira de lá, de lá girou
Gira a cueca pra ganhar o nosso amor.
Fogo aos amantes da cachaça,
soldados da ressaca em sal.
Unidos pela sintonia da alegria no carnaval.
Fogo em tudo o que carece varal.
Fogo em tudo o que parece normal
Fogo em toda forma de cueca
Deixa o sapo ver a perereca
Chega de esconder cartão postal.
Definitivamente luto só. Sozinho. E por querer estar. E por querer lutar. Por compreender que a revolucao, agora, passou a ser individual. A minha despertou e não existe forma de manifesto mais conveniente. Protejo meu campo e minha cria. Rezo pelos teus e pelos meus. Para se equilibrar em complexos vínculos, é preciso tragar as energias mais adversas, respeitando tudo aquilo que o limita.
Divina Mãe.
Ancore o barco menino.
Mostre-lhe o chão.
Ensine-lhe a aportar se for preciso.
Veleja no vento do barco que vai,
carregando este alento iluminado,
com a fé angustiante de seus ancestrais
exposta na carne que deixa legado.
Poeta matreiro não morre à toa.
Conhece o mastro livre que guia.
Tem alma velha de idéias brilhantes.
É marinheiro prodígio dos santos que cria.
Aborda o barco deste menino intenso
para todo sangue que existe à distância.
Acalma-lhe o pé em areias finas.
Filho inquietante do mar que avança.
Domine a euforia que tens em veia, menino.
Reja o motor de tua sina.
Deixe a mandinga. Carregue a estrela.
Conduza o barco em direção a menina.
Proteja-se de más maresias corriqueiras.
Curta a curta das ondas que dançam.
Não naufrague em pedras traiçoeiras.
Sossega em águas teu medo imanto
que tua Mãe Natureza separou bons faróis.
Procure nas rochas mais luminosas
de cada porto repouso em teus lençóis.
Rezo por ti, amigo à deriva.
Que saias do cais sedento de tempo.
Ouça a Mãe de todas as vidas.
Siga você, que o amor lhe basta.
Olho em volta de mim e percebo que não sou o mesmo.
Meu mundo gira, gira...
mas não sai do lugar de onde veio.
Quando penso que tenho uma vida
reduzida pela idade que já foi desperdiçada.
Recomeço uma jovem partida,
onde o destino é a chegada.
Daí é que percebo que ela só dura
quando a alma compreende cada caminhar.
E aceita, com nostalgia e receio,
que o tempo não pode parar.